(...) Primeiro que paixão deve ser coisa discreta, calada, centrada. Se você começa a espalhar aos sete ventos, crau, dá errado.
Isso porque ao contar a gente tem a tendência a, digamos, “embonitar” a coisa, e portanto distanciar-se dela, apaixonando-se mais pelo supor-se apaixonado do que pelo objeto da paixão propriamente dito.
Sei que é complicado, mas contar falsifica,
é isso que quero dizer — e pensando mais longe, por isso mesmo literatura é sempre fraude.
Quanto mais não-dita, melhor a paixão.”
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