Ele era um idiota,
não era? Ele te chamava de chata, de feia, de boba, ou de qualquer coisa
que pudesse te ofender. Ele implicava com os seus gostos, ele dizia que a sua
banda preferida era ruim. Sempre reclamava das suas roupas, sempre dizia que
você era insuportável. Até que um dia, ele percebeu que não poderia deixar
essa insuportável ir embora. Vocês passaram a conversar mais. Foram horas,
horas e horas passadas juntos. Ele te xingava, você o chamava de puto. Se
batiam, e mantinham uma determinada guerra entre si. Logo com o tempo, ele
tornou o seu melhor amigo. Ele seria capaz de matar o cara que partisse
teu coração. Ele tinha mania de ligar todas as noites de madrugada para
dizer o quanto você era especial. Tu o chamava de anjo, e não conseguia se
imaginar em momentos felizes sem a sua presença. Ele tornou-se uma parte do seu
pensamento, ou até melhor, se tornou dono dele. Você dizia que estava com frio,
esperando pelo teu abraço. Você dizia que estava carente, o desejando por
qualquer coisa. Ele a queria. Ela o queria. Eles se queriam, mais do que
deveriam, mais do que podiam. Ele ouvia músicas de rock, ela ouvia músicas
tristes. Ele gostava de andar de skate, ela preferia ler romances. Nada
poderia ser feito para que o amor diminuísse. Ele acabou descobrindo que
todas as noites de insônia passadas porque estava pensando em ti, que todas as
vezes que ele disse que não sabiam se eram apenas amigos, que todas as vezes
que disse que a amava…
Bom, ele descobriu que nada disso foi em
vão.
E que a partir dali, daria de tudo para poder passar o resto de sua
vida chamando-lhe de tua. E você não poderia fazer nada, porque era óbvio que
também gostaria de chamá-lo de seu.
E que gostaria de passar as noites frias
acolhida em seus braços.
Vendo o tempo passando, vendo que o amor não diminuía
nem um pouco. Percebeu que alguma coisa estava sendo verdadeira até agora.
E que quando se imaginasse em um futuro, com certeza seria do teu lado.

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